O Grande Conflito - EGW

A liberdade nos Países Baixos 209 “Jovens se deitavam vivas nas sepulturas, como se estivessem a en- trar em seu quarto para o sono noturno; ou saíam para o cadafalso e para a fogueira, trajando seus melhores vestidos, como se fossem para o casamento.” — Wylie. Como nos dias em que o paganismo procurou destruir o evange- lho, o sangue dos cristãos era semente. (Ver a Apologia, de Tertuli- ano.) A perseguição servia para aumentar o número das testemunhas da verdade. Ano após ano o monarca, despeitado até à loucura pela resolução invencível do povo, persistia na obra cruel, mas em vão. Sob o nobre Guilherme de Orange, a Revolução trouxe finalmente à Holanda liberdade de culto a Deus. Nas montanhas de Piemonte, nas planícies da França e praias da Holanda, o progresso do evangelho foi assinalado com o sangue [241] de seus discípulos. Mas nos países do norte encontrou pacífica entrada. Estudantes em Wittenberg, voltando para casa, levaram a fé reformada para a Escandinávia. A publicação dos escritos de Lutero também propagou a luz. O povo simples e robusto do norte, deixou a corrupção, a pompa e as superstições de Roma, para acolher a pureza, a simplicidade e as verdades vitais da Bíblia. Tausen, o “Reformador da Dinamarca”, era filho de camponês. Desde a infância deu mostras de vigoroso intelecto; tinha sede de saber; mas este desejo lhe foi negado pelas circunstâncias em que seus pais se achavam, e entrou para o claustro. Ali, sua pureza de vida bem como diligência e fidelidade, conquistaram a benevolência de seu superior. O exame demonstrou possuir talento que prome- tia em algum futuro bons serviços à igreja. Foi decidido dar-lhe educação em uma das universidades da Alemanha ou dos Países Baixos. Concedeu-se ao jovem estudante permissão para escolher por si mesmo uma escola, com a condição de que não fosse a de Wittenberg. Não convinha expor o educando ao veneno da heresia. Assim pensaram os frades. Tausen foi para Colônia, que era então, como hoje, um dos ba- luartes do romanismo. Ali logo se desgostou com o misticismo dos escolásticos. Aproximadamente por esse mesmo tempo obteve os escritos de Lutero. Leu-os com admiração e deleite, desejando grandemente o privilégio de receber instrução pessoal do reforma- dor. Mas para fazer isso, deveria arriscar ofender a seu superior e

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