O Grande Conflito - EGW

208 O Grande Conflito de vida. Atravessou os Países Baixos e a Alemanha do norte, tra- balhando principalmente entre as classes mais humildes, mas exer- cendo vasta influência. Eloqüente por natureza, posto que possuísse limitada educação, era homem de integridade inabalável, espírito humilde e maneiras gentis, e de uma piedade sincera e fervorosa, exemplificando na própria vida os preceitos que ensinava, e reco- mendando-se à confiança do povo. Seus seguidores estavam esparsos e eram oprimidos. Sofriam grandemente por serem confundidos com os fanáticos adeptos de Münster. Não obstante, grande número se converteu pelos seus labores. Em parte alguma foram as doutrinas reformadas mais geralmente recebidas do que nos Países Baixos. Em poucos países suportaram seus adeptos mais terríveis perseguições. Na Alemanha, Carlos V havia condenado a Reforma, e com prazer teria levado à tortura todos os seus partidários; mas os príncipes mantiveram-se como uma barreira contra sua tirania. Nos Países Baixos seu poder foi maior, e editos perseguidores seguiam-se uns aos outros em rápida sucessão. Ler a Bíblia, ouvi-la ou pregá-la, ou mesmo falar a respeito [240] dela, era incorrer na pena de morte pela tortura. Orar a Deus em secreto, deixar de curvar-se perante as imagens, ou cantar um salmo, eram também puníveis de morte. Mesmo os que renunciassem seus erros, eram condenados, sendo homens, a morrer pela espada; e sendo mulheres, a ser enterradas vivas. Milhares pereceram sob o reinado de Carlos e de Filipe II. Certa ocasião uma família inteira foi levada perante os inquisi- dores, acusada de não assistir à missa, e de fazer culto em casa. Ao serem examinados quanto às suas práticas particulares, respondeu o filho mais moço: “Pomo-nos de joelhos, e oramos para que Deus nos ilumine a mente e perdoe os pecados; oramos pelo nosso sobe- rano, para que seu reino seja próspero e sua vida feliz; oramos pelos nossos magistrados, para que Deus os guarde.” — Wylie. Alguns dos juízes ficaram profundamente comovidos; no entanto, o pai e um dos filhos foram condenados à fogueira. A cólera dos perseguidores igualava-se à fé que tinham os márti- res. Não somente homens, mas delicadas senhoras e moças ostenta- vam coragem inflexível. “Esposas tomavam lugar junto aos suplícios de seus maridos e, enquanto estes suportavam o fogo, elas balbucia- vam palavras de consolação, ou cantavam salmos para animá-los.”

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