O Grande Conflito - EGW
210 O Grande Conflito privar-se de seu arrimo. Decidiu-se logo, e pouco tempo depois se matriculou na Universidade de Wittenberg. Voltando à Dinamarca, de novo se dirigiu a seu mosteiro. Nin- guém, por enquanto, o suspeitava de luteranismo; não revelou seu segredo, mas sem despertar preconceitos dos companheiros, esfor- çava-se por levá-los a uma fé mais pura e vida mais santa. Expôs-lhes a Bíblia e explicou seu verdadeiro sentido, pregando-lhes finalmente a Cristo como a justiça do pecador e sua única esperança de salvação. Grande foi a ira do prior, que nele havia depositado extraordinárias [242] esperanças como valoroso defensor de Roma. Foi logo removido de seu mosteiro para outro, e confinado à cela sob estrita fiscalização. Para o terror de seus novos guardiães, vários dos monges logo se declararam conversos ao protestantismo. Através das barras da cela, Tausen comunicara aos companheiros o conhecimento da verdade. Fossem aqueles padres dinamarqueses peritos no plano da igreja de como tratar a heresia, e a voz de Tausen jamais teria sido de novo ouvida; mas, em vez de o confiar ao túmulo nalguma masmorra subterrânea, expulsaram-no do mosteiro. Estavam, então, reduzidos à impotência. Um edito real, apenas promulgado, oferecia proteção aos ensinadores da nova doutrina. Tausen começou a pregar. As igrejas lhe foram abertas, e o povo reunia-se em multidão para ouvi-lo. Outros também estavam a pregar a Palavra de Deus. O Novo Testamento, traduzido para a língua dinamarquesa, circulou amplamente. Os esforços feitos pelos romanistas a fim de destruir a obra, tiveram como resultado estendê-la e, não muito depois, a Dinamarca declarava aceitar a fé reformada. Na Suécia, também, jovens que haviam bebido da fonte de Wit- tenberg, levaram a água da vida a seus patrícios. Dois dos dirigentes da Reforma sueca, Olavo e Lourenço Petri, filhos de um ferreiro de Orebro, estudaram com Lutero e Melâncton, e foram diligentes em ensinar as verdades que assim aprenderam. Semelhante ao grande reformador, Olavo despertava o povo pelo seu zelo e eloqüência, enquanto Lourenço, à semelhança de Melâncton, era ilustrado, refle- tido e calmo. Ambos eram homens de fervorosa piedade, profundos conhecimentos teológicos e inflexível coragem para promover o avançamento da verdade. A oposição romanista não faltava. Os pa- dres católicos instigavam o povo ignorante e supersticioso. Olavo Petri foi muitas vezes assaltado pela populaça, e em várias ocasiões
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy ODMwNg==