O Grande Conflito - EGW
Uma profecia muito significativa 289 nove anos esperou, pesando-lhe sempre este fardo sobre a alma, até que em 1831 pela primeira vez expôs publicamente as razões de sua fé. Assim como Eliseu foi chamado quando à rabiça do arado acom- panhava os bois no campo de trabalho, a fim de receber o manto da consagração ao ofício de profeta, também Guilherme Miller foi chamado para deixar o arado e desvendar ao povo os mistérios do reino de Deus. Cheio de temores, deu início ao trabalho, levando seus ouvintes passo a passo, através dos períodos proféticos, até o segundo aparecimento de Cristo. Em cada preleção ganhava ele energia e coragem, vendo o grande interesse despertado por suas palavras. Foi somente às solicitações de seus irmãos, em cujas palavras ele ouvia o chamado de Deus, que Miller consentiu em apresentar suas opiniões em público. Contava então cinqüenta anos de idade, não estava habituado a falar em público, e sentia-se oprimido ao reconhecer sua incapacidade para a obra. Desde o princípio, porém, seus trabalhos para a salvação das almas foram abençoados de modo notável. Sua primeira conferência foi seguida de um despertamento religioso, no qual se converteram treze famílias inteiras, com exce- ção de duas pessoas. Foi imediatamente convidado a falar em outros lugares, e quase em toda parte seu trabalho resultava em avivamento da obra de Deus. Convertiam-se pecadores, cristãos eram desper- tados a maior consagração, e deístas e incrédulos reconheciam a verdade da Bíblia e da religião cristã. O testemunho daqueles entre os quais trabalhava, era: “Atingia a uma classe de espíritos fora da influência de outros homens.” — Bliss. Sua pregação era de molde a despertar o espírito público aos grandes temas da religião, e sustar o crescente mundanismo e sensualidade da época. Em quase todas as cidades havia dezenas de conversos, e em algumas, centenas, como resultado de sua pregação. Em muitos lugares as igrejas protestantes de quase todas as denominações abri- [332] ram-se-lhe amplamente; e os convites para nelas trabalhar vinham geralmente dos pastores das várias congregações. Adotava como regra invariável não trabalhar em qualquer lugar a que não fosse convidado; e, no entanto, logo se viu impossibilitado de atender à metade dos pedidos que choviam sobre ele.
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