O Grande Conflito - EGW

Os nobres da França 199 que os teria salvo do engano, da mancha de sua alma pelo crime de sangue, haviam-na voluntariamente rejeitado. Um juramento solene para extirpar a heresia foi feito na grande catedral, onde, quase três séculos mais tarde, a “Deusa da Razão” deveria ser entronizada por uma nação que se tinha esquecido do Deus vivo. Novamente se formou a procissão, e os representantes da França aprestaram-se a iniciar a obra que haviam jurado fazer. “A pequenas distâncias haviam-se erigido cadafalsos, nos quais certos cristãos protestantes deveriam ser queimados vivos, e arranjaram para que as fogueiras fossem acesas no momento em que o rei se aproximasse e a procissão fizesse alto para testemunhar a execução.” — Wylie. As minúcias das torturas suportadas por aquelas teste- munhas de Cristo são demasiado dilacerantes para serem descritas; não houve, porém, vacilação por parte das vítimas. Exigindo-se-lhes retratar-se, um respondeu: “Creio unicamente no que os profetas e apóstolos anteriormente pregaram, e no que creu toda a multidão [230] dos santos. Minha fé tem uma confiança em Deus que resistirá a todos os poderes do inferno.” — História da Reforma no Tempo de Calvino, D’Aubigné. Repetidas vezes a procissão fazia alto nos lugares de tortura. Atingindo o seu ponto de partida, no palácio real, a multidão dis- persou-se, e o rei e os prelados retiraram-se, satisfeitos com as realizações do dia, e exprimindo o desejo de que a obra, ora iniciada, continuasse até à completa destruição da heresia. O evangelho da paz que a França rejeitara havia de ser efetiva- mente desarraigado, e terríveis seriam os resultados. No dia 21 de janeiro de 1793, a duzentos e cinqüenta e oito anos do próprio dia em que a França se entregara inteiramente à perseguição dos reformado- res, passou pelas ruas de Paris outra procissão, com um intuito muito diferente. “De novo era o rei a figura principal; novamente havia tumultos e aclamações; repetiu-se o clamor pedindo mais vítimas; reergueram-se negros cadafalsos; e de novo encerraram-se as cenas do dia com horríveis execuções; Luiz XVI, lutando de mãos com seus carcereiros e executores, era arrastado para o cepo e ali seguro violentamente até cair o machado e sua decepada cabeça rolar no tablado.” — Wylie. E não foi o rei a única vítima; perto do mesmo local dois mil e oitocentos seres humanos pereceram pela guilhotina durante os sanguinários dias do Reinado do Terror.

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