O Grande Conflito - EGW

198 O Grande Conflito suas vestes de púrpura e escarlate, e com adornos de jóias — uma exibição magnífica e resplandecente. “A hóstia era levada pelo bispo de Paris, sob magnificente pálio, ... carregado por quatro príncipes de sangue. ... Em seguida à hóstia caminhava o rei. ... Francisco I, naquele dia, não levava coroa, nem vestes de Estado.” Com a “cabeça descoberta, olhos fixos no chão, na mão um círio aceso”, o rei da França aparecia “em caráter de penitente.” — Wylie. Em cada altar ele se curvava em humilhação, não pelos vícios que lhe aviltavam a alma, nem pelo sangue inocente que lhe manchava as mãos, mas pelo pecado mortal de seus súditos que tinham ousado condenar a missa. Seguindo-se a ele vinham a rainha e os dignitários do Estado caminhando também dois a dois, cada um com uma tocha acesa. Como parte das cerimônias do dia, o próprio monarca discursou aos altos oficiais do reino no grande salão do palácio do bispo. Com semblante triste apareceu perante eles, e com palavras de eloqüência comovedora deplorou “o crime, a blasfêmia o tempo de tristeza e desgraça”, que sobrevieram à nação. E apelou para todo súdito leal a que auxiliasse na extirpação da pestilente heresia que ameaçava de ruína a França. “Tão verdadeiramente, senhores, como eu sou o vosso rei”, disse ele, “se eu soubesse estar um dos meus próprios [229] membros manchado ou infectado com esta detestável podridão, eu o daria para que vós o cortásseis. ... E, demais, se visse um de meus filhos contaminado por ela, não o pouparia. ... Eu mesmo o entregaria e sacrificaria a Deus.” As lágrimas abafaram-lhe as palavras, e toda a assembléia chorou, exclamando em uníssono: “Viveremos e morreremos pela religião católica!” — D’Aubigné. Terríveis se tornaram as trevas da nação que rejeitara a luz da verdade. “A graça que traz a salvação” havia aparecido; mas a França, depois de lhe contemplar o poder e santidade, depois de milhares terem sido atraídos por sua divina beleza, depois de cidades e aldeias terem sido iluminadas por seu fulgor, desviou-se, preferindo as trevas à luz. Haviam repudiado o dom celestial, quando este lhes foi oferecido. Tinham chamado ao mal bem, e ao bem mal, até serem vítimas voluntárias do próprio engano. Agora, ainda que efetivamente cressem que, perseguindo ao povo de Deus estavam fazendo a obra divina, sua sinceridade não os inocentava. A luz

RkJQdWJsaXNoZXIy ODMwNg==