O Grande Conflito - EGW

A Europa desperta 161 entristecer o Espírito de Deus, e de outro, de sermos desgarrados pelo espírito de Satanás.” — D’Aubigné. O fruto do novo ensino logo se tornou manifesto. O povo foi levado a negligenciar a Bíblia, ou lançá-la inteiramente à parte. Nas escolas estabeleceu-se confusão. Estudantes, repelindo toda restrição, abandonavam seus estudos e retiravam-se da universidade. Os homens que se julgavam competentes para reanimar e dirigir a obra da Reforma, conseguiram unicamente levá-la às bordas da ruína. Os representantes de Roma recuperaram então sua confiança, e exclamaram exultantemente: “Mais uma luta, e tudo será nosso.” — D’Aubigné. Lutero, em Wartburgo, ouvindo o que ocorrera, disse com pro- fundo pesar: “Sempre esperei que Satanás nos mandaria esta praga.” — D’Aubigné. Percebeu o verdadeiro caráter desses pretensos profe- tas, e viu o perigo que ameaçava a causa da verdade. A oposição do papa e do imperador não lhe tinha causado perplexidade e angústia tão grandes como as que experimentava agora. Dos professos ami- gos da Reforma haviam surgido seus piores inimigos. As mesmas verdades que lhe haviam trazido tão grande alegria e consolação, [188] estavam sendo empregadas para provocar contenda e criar confusão na igreja. Na obra da Reforma, Lutero fora compelido à frente pelo Es- pírito de Deus, e levado além do que ele pessoalmente teria ido. Não se propusera assumir as posições que assumiu, nem efetuar mudanças tão radicais. Não fora senão o instrumento nas mãos do Poder infinito. Contudo, muitas vezes estremecia pelos resultados de seu trabalho. Dissera uma vez: “Se eu soubesse que minha doutrina tivesse prejudicado a um homem, um único homem, por humilde e obscuro que fosse — o que não pode ser, pois que é o próprio evangelho — eu preferiria morrer dez vezes a não retratar-me.” — D’Aubigné. E então, Wittenberg mesmo, o próprio centro da Reforma, estava rapidamente a cair sob o poder do fanatismo e da anarquia. Esta terrível condição não resultara dos ensinos de Lutero; mas por toda a Alemanha seus inimigos o estavam acusando disso. Em amargura d’alma ele algumas vezes perguntou: “Poderá, então, ser esse o fim desta grande obra da Reforma?” — D’Aubigné. De novo, lutando com Deus em oração, encheu-se-lhe de paz a alma. “A obra não é

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