O Grande Conflito - EGW

160 O Grande Conflito para fazer tudo que estivesse em seu poder, a fim de que não fosse impedida a obra tão nobremente iniciada. Mas Satanás não estava ocioso. Passou a tentar o que havia ex- perimentado em todos os outros movimentos de reforma — enganar e destruir o povo apresentando-lhe uma contrafação em lugar da verdadeira obra. Assim como houve falsos cristos no primeiro século da igreja cristã, surgiram também falsos profetas no século XVI. Alguns homens, profundamente impressionados com a agitação que ia pelo mundo religioso, imaginavam haver recebido revelações especiais do Céu, e pretendiam ter sido divinamente incumbidos de levar avante, até à finalização, a Reforma que, declaravam, apenas fora iniciada debilmente por Lutero. Na verdade, estavam desfazendo o mesmo trabalho que ele realizara. Rejeitavam o grande princípio que era o próprio fundamento da Reforma — que a Palavra de Deus é a todo-suficiente regra de fé e prática; e substituíram aquele guia infalível pela norma mutável, incerta, de seus próprios sentimentos e impressões. Por este ato de pôr de lado o grande indicador do erro e falsidade, fora aberto o caminho para Satanás governar os espíritos como melhor lhe aprouvesse. Um desses profetas pretendia haver sido instruído pelo anjo Gabriel. Um estudante que se lhe unira, abandonara seus estudos declarando que fora pelo próprio Deus dotado de sabedoria para expor Sua Palavra. Outros que naturalmente eram propensos ao fanatismo, a eles se uniram. A ação destes entusiastas criou não pequeno excitamento. A pregação de Lutero tinha levado o povo [187] em toda parte a sentir a necessidade de reforma, e agora algumas pessoas realmente sinceras foram transviadas pelas pretensões dos novos profetas. Os dirigentes do movimento seguiram para Wittenberg e insta- ram com Melâncton e seus cooperadores para que aceitassem suas pretensões. Disseram: “Nós somos enviados por Deus para instruir ao povo. Temos familiarmente entretido conversas com o Senhor; sabemos o que acontecerá; em uma palavra, somos apóstolos e profetas, e apelamos para o Dr. Lutero.” — D’Aubigné. Os reformadores estavam surpresos e perplexos. Com seme- lhante elemento não haviam ainda deparado, e não sabiam o que fazer. Disse Melâncton: “Há efetivamente espírito extraordinário nestes homens; mas que espírito? ... De um lado acautelemo-nos de

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