O Grande Conflito - EGW

470 O Grande Conflito “E qual é a inferência a fazer-se desta linguagem? Não é que o sofrimento intérmino não fazia parte de sua crença religiosa? Assim o concebemos; e aqui descobrimos um argumento triunfante em apoio da mais agradável, mais iluminada, mais benévola hipótese da pureza e paz, universal e final. Consolou-se, vendo que o filho estava morto. E por que isto? Porque, pelos olhos da profecia, podia vislum- brar o glorioso futuro, e ver aquele filho afastado para longe de toda tentação, livre do cativeiro, e purificado das corrupções do pecado, e depois de se haver tornado suficientemente santo e esclarecido, admitido na assembléia dos espíritos elevados e jubilosos. Seu único conforto era que, sendo removido do presente estado de pecado e sofrimento, seu amado filho fora para o lugar em que o mais elevado bafejo do Espírito Santo cairia sobre a sua alma entenebrecida; em que seu espírito se desdobraria à sabedoria do Céu e aos suaves transportes do amor imortal, e assim se prepararia com a natureza santificada para gozar o repouso e companhia da herança celestial. “Nesse sentido é que desejamos ser compreendidos como crentes que somos de que a salvação do Céu não depende de coisa alguma que possamos fazer nesta vida; nem da mudança do coração, feita presentemente, nem da crença atual nem de uma profissão religiosa.” Assim reitera o professo ministro de Cristo a falsidade proferida pela serpente no Éden: “Certamente não morrereis.” “No dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus.” Ele declara que o mais vil pecador — o assassino, o ladrão, o adúltero — estarão depois da morte preparados para entrar na bem-aventurança eterna. E donde tira este adulterador das Escrituras as suas conclusões? De uma simples sentença que exprime a submissão de Davi aos desígnios da Providência. Ele “tinha ... saudades de Absalão: porque [539] já se tinha consolado acerca de Amnom, que era morto.” Tendo-se o pungimento desta dor abrandado pelo tempo, seus pensamentos volveram do filho morto para o vivo, o qual se exilara pelo medo do justo castigo de seu crime. E esta é a prova de que o incestuoso e bêbado Amnom foi à sua morte imediatamente transportado para as bem-aventuradas habitações, a fim de ser ali purificado e preparado para a companhia dos anjos sem pecado! Fábula aprazível, por certo, muito apropriada para satisfazer o coração carnal! Esta é a própria

RkJQdWJsaXNoZXIy ODMwNg==