O Grande Conflito - EGW
A Escritura Sagrada e a Revolução Francesa 241 homens a romper as algemas que os haviam conservado escravos da ignorância, vício e superstição. Começavam a pensar e agir como homens. Os monarcas, ao verem isto, temeram pelo seu despotismo. Roma não foi tardia em inflamar seus ciosos temores. Disse o papa ao regente da França em 1525: “Esta mania [o protestantismo], não somente confundirá e destruirá a religião, mas todos os princi- pados, nobreza, leis, ordens e classes juntamente.” — História dos Protestantes da França, G. de Félice. Poucos anos mais tarde um núncio papal advertiu ao rei: “Majestade, não vos enganeis. Os pro- testantes subverterão toda a ordem civil e religiosa. ... O trono está em tão grande perigo como o altar. ... A introdução de uma nova reli- gião deve necessariamente introduzir novo governo.” — História da Reforma no Tempo de Calvino, D’Aubigné. E os teólogos apelavam para os preconceitos do povo, declarando que a doutrina protestante “instiga os homens à novidade e loucura; despoja o rei da dedicada afeição de seus súditos e devasta tanto a Igreja como o Estado.” Assim Roma conseguiu predispor a França contra a Reforma. “Foi para manter o trono, preservar os nobres e conservar as leis, que pela primeira vez se desembainhou na França a espada da perseguição.” — Wylie. Mal imaginavam os governantes do país os resultados daquela política fatal. O ensino da Escritura Sagrada teria implantado no espírito e no coração do povo os princípios de justiça, temperança, verdade, eqüidade e benevolência, que são a própria pedra basilar da prosperidade da nação. “A justiça exalta as nações.” Donde, “com justiça se estabelece o trono.” Provérbios 14:34 ; 16:12 . “O efeito da justiça será paz, e a operação da justiça repouso e segurança, [278] para sempre.” Isaías 32:17 . O que obedece à lei divina é o que me- lhor respeitará e obedecerá às leis de seu país. O que teme a Deus honrará ao rei no exercício de toda a autoridade justa e legítima. Mas a desditosa França proibiu a Bíblia e condenou seus discípulos. Século após século, homens de princípios e integridade, homens de agudeza intelectual e força moral, que tinham coragem de confessar suas convicções e fé para sofrer pela verdade, sim, durante séculos esses homens labutaram como escravos nas galeras, pereceram na fogueira, ou apodreceram nas celas das masmorras. Milhares e mi- lhares encontraram segurança na fuga; e isto continuou por duzentos e cinqüenta anos depois do início da Reforma.
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