O Grande Conflito - EGW
218 O Grande Conflito “Como a religião verdadeira não deriva dos príncipes mundanos a força original nem a autoridade, mas sim do eterno Deus, unica- mente, não são assim os súditos obrigados a moldar sua religião [251] segundo o sabor dos príncipes. Pois muitas vezes acontece que os príncipes são os mais ignorantes de todos no tocante à verdadeira religião de Deus. ... Se toda a semente de Abraão houvesse sido da religião de Faraó, de quem foram súditos durante muito tempo, pergunto-vos, senhora, que religião teria havido no mundo? Ou se todos os homens nos dias dos apóstolos houvessem sido da religião dos imperadores romanos, que religião teria havido sobre a face da Terra? ... E assim, senhora, podeis compreender que os súditos não são obrigados a ter a religião de seus príncipes, conquanto se lhes recomende prestar-lhes obediência.” Disse Maria: “Interpretais as Escrituras de uma maneira, e eles [os ensinadores católicos, romanos] interpretam-nas de outra; a quem deverei crer, e quem será juiz?” “Crereis em Deus, que claramente fala em Sua Palavra”, respon- deu o reformador; “e além do que a Palavra vos ensina não crereis nem a um nem a outro. A Palavra de Deus é clara por si mesma; e se aparecer qualquer obscuridade em um lugar, o Espírito Santo, que nunca é contrário a Si mesmo, em outros lugares explica a obscuri- dade de maneira mais clara, de modo que não poderá ficar dúvida a não ser para os que obstinadamente se conservem na ignorância.” — Obras de João Knox, de Laing. Essas foram as verdades que o destemido reformador, com perigo de vida, disse aos ouvidos da realeza. Com a mesma denodada coragem, manteve seu propósito, orando e ferindo as batalhas do Senhor; até que a Escócia ficou livre do papado. Na Inglaterra, o estabelecimento do protestantismo como religião nacional diminuiu a perseguição mas não a deteve completamente. Enquanto muitas das doutrinas de Roma foram renunciadas, con- servavam-se não poucas de suas formas. Foi rejeitada a supremacia do papa, mas em seu lugar o monarca foi entronizado como cabeça da igreja. No culto da igreja ainda havia largo desvio da pureza e simplicidade do evangelho. O grande princípio da liberdade religiosa não fora por enquanto compreendido. Ainda que só raramente os [252] governadores protestantes recorressem às horríveis crueldades que Roma empregava contra a heresia, o direito de cada homem adorar
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