O Grande Conflito - EGW
196 O Grande Conflito reinado do terror.” — História da Reforma no Tempo de Calvino, de D’Aubigné. As vítimas foram mortas com tortura cruel, sendo ordenado es- pecialmente que o fogo fosse abaixado, a fim de prolongar-lhes a agonia. Morreram, porém, como vencedores. Sua constância foi inabalável, imperturbada sua paz. Os perseguidores, impotentes para abalar-lhes a inflexível firmeza, sentiram-se derrotados. “Os cadafal- sos foram distribuídos por todos os bairros de Paris, e as fogueiras arderam durante dias sucessivos, no intuito de, espalhando as exe- cuções, espalhar o terror da heresia. A vantagem, entretanto, ficou afinal com o evangelho. Toda Paris habilitou-se a ver que espécie de homens as novas opiniões produziram. Não havia púlpito como a fogueira do mártir. A serena alegria que iluminava o rosto daqueles homens, ao se encaminharem ... para o lugar da execução; seu he- roísmo, estando eles entre as chamas atrozes; seu meigo perdão às injúrias, em não poucos casos transformavam a cólera em piedade e o ódio em amor, pleiteando com irresistível eloqüência em prol do evangelho.” — Wylie. Os padres, dispostos a conservar em seu auge a fúria popular, faziam circular as mais terríveis acusações contra os protestantes. Eram acusados de conspirar para o massacre dos católicos, subverter o governo e assassinar o rei. Nem uma sombra sequer de provas podiam aduzir em apoio das alegações. No entanto, aquelas profe- cias de males deveriam ter cumprimento; sob circunstâncias, porém, muito diversas e por causas de caráter oposto. As crueldades que foram pelos católicos infligidas aos inocentes protestantes, acumula- ram um peso de retribuições e, séculos depois, ocasionaram a mesma sorte que eles haviam predito estar iminente sobre o rei, seu governo e seus súditos; mas produziram-na os incrédulos e os próprios ro- [227] manistas. Não foi o estabelecimento do protestantismo, mas sim a sua supressão que, trezentos anos mais tarde, deveria trazer sobre a França essas horrendas calamidades. Suspeita, desconfiança e terror invadiam agora todas as classes da sociedade. Entre o alarma geral, viu-se quão profundamente o ensino luterano se havia apoderado do espírito dos homens que mais se distinguiam pela educação, influência e excelência de caráter. Cargos de confiança e honra foram subitamente encontrados vagos. Artífices, impressores, estudantes, professores das universidades, au-
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