O Grande Conflito - EGW
Os nobres da França 189 e ali estavam muitos que viram com espanto e temor, que a vítima fora escolhida dentre as melhores, mais valorosas e nobres famí- lias da França. Espanto, ira, escárnio e ódio figadal entenebreciam o rosto daquela multidão agitada; mas sobre um único semblante nenhuma sombra pairava. Os pensamentos do mártir estavam longe daquela cena de tumulto; estava cônscio apenas da presença de seu Senhor. O hediondo carro enlameado em que ia, o rosto carregado de seus perseguidores, a morte terrível para a qual caminhava, não os tomava ele em consideração; estava a seu lado Aquele que vive e foi morto, e vivo estará para sempre, e tem as chaves da morte e do inferno. O semblante de Berquin estava radiante com a luz e paz do Céu. Vestira trajes festivos, usando “uma capa de veludo, um gibão de cetim e damasco, e meias douradas.” — História da Reforma no Tempo de Calvino, D’Aubigné. Ele estava para testificar de sua fé na presença do Rei dos reis, e do Universo, que assistia à cena; e nenhum sinal de lamento lhe devia empanar a alegria. Enquanto o cortejo se movia vagarosamente através das ruas regurgitantes de gente, este notava com admiração a imperturbável paz, o alegre triunfo que trazia no olhar e porte. “Ele está”, diziam, “como alguém que se senta num templo e medita sobre coisas san- tas.” — Wylie. Junto à fogueira, Berquin esforçou-se por dirigir algumas pala- vras ao povo; mas os monges, temendo o resultado, começaram a gritar, e os soldados a chocar as armas, e o rumor abafou a voz do mártir. Assim, em 1529, a mais alta autoridade literária e eclesiás- tica da culta Paris, “deu à populaça de 1793 o indigno exemplo de sufocar na forca as palavras sagradas do moribundo.” — Wylie. Berquin foi estrangulado, e seu corpo consumido nas chamas. As notícias de sua morte causaram tristeza aos amigos da Reforma por toda a França. Mas seu exemplo não foi em vão. “Estamos também [219] prontos”, disseram as testemunhas da verdade, “para enfrentar com ânimo a morte, pondo nossos olhos na vida por vir.” — História da Reforma no Tempo de Calvino, D’Aubigné. Durante a perseguição em Meaux, os ensinadores da fé refor- mada foram proibidos de pregar, e partiram para outros campos. Lefèvre, depois de algum tempo, tomou rumo da Alemanha. Farel voltou para sua cidade natal, na França oriental, a fim de disseminar
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