O Grande Conflito - EGW
Os nobres da França 185 Houve entre os discípulos de Lefèvre alguns que avidamente lhe ouviam as palavras, e que, muito tempo depois que a voz do mestre silenciasse, deveriam continuar a anunciar a verdade. Um destes foi Guilherme Farel. Filho de pais piedosos e ensinado a aceitar com fé implícita os ensinos da igreja, poderia, com o apóstolo Paulo, ter declarado com respeito a si mesmo: “Conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu.” Atos 26:5 . Como devoto romanista, ardia em zelo para destruir a todos os que ousassem opor-se à igreja. “Eu rangia os dentes qual lobo furioso”, declarou ele mais tarde referindo-se a esse período de sua vida, “quando ouvia alguém falar contra o papa.” — Wylie. Fora incansável na adoração dos santos, percorrendo em companhia de Lefèvre as igrejas de Paris, adorando nos altares, e com dádivas adornando os santos relicários. Mas estas observâncias não podiam trazer paz à alma. Fortalecia-se nele a convicção do pecado, a qual todos os atos de penitência que praticava não conseguiam banir. Como se fora voz do Céu, escutou as palavras do reformador: “A salvação é de graça.” “O inocente é condenado, e o criminoso absolvido.” “É unicamente a cruz de Cristo que abre as portas do Céu e fecha as do inferno.” — Wylie. [214] Farel aceitou alegremente a verdade. Por uma conversão seme- lhante à de Paulo, tornou do cativeiro da tradição à liberdade dos filhos de Deus. “Em vez de ter o coração assassino de um lobo devorador, voltou tranqüilamente, qual cordeiro manso e inofensivo, tendo o coração de todo desviado do papa, e entregue a Jesus Cristo.” — D’Aubigné. Enquanto Lefèvre continuava a propagar a luz entre seus discípu- los, Farel, tão zeloso na causa de Cristo como fora na do papa, saiu para anunciar a verdade em público. Um dignitário da igreja, o bispo de Meaux, logo depois a ele se uniu. Outros ensinadores, notáveis por sua habilidade e saber, uniram-se à proclamação do evangelho, conquistando adeptos entre todas as classes, desde os lares dos ar- tífices e camponeses até ao palácio real. A irmã de Francisco I, o monarca reinante de então, aceitou a fé reformada. O próprio rei e a rainha-mãe pareceram por algum tempo considerá-la com bene- volência, e com grandes esperanças os reformadores aguardaram o futuro em que a França seria ganha para o evangelho. Suas esperanças, porém, não deveriam realizar-se. Provações e perseguições estavam reservadas aos discípulos de Cristo. Isto,
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