O Grande Conflito - EGW
174 O Grande Conflito ram prazo, mas em vão. Quando levados à prova, quase a metade se declarou pela Reforma. Os que assim se recusaram a sacrificar a liberdade de consciência e do direito do juízo individual, bem sabiam que sua posição os assinalava para a crítica, a perseguição e condenação. Disse um dos delegados: “Devemos ou negar a Palavra de Deus, ou — ser queimados.” — D’Aubigné. O rei Fernando, representante do imperador na Dieta, viu que o decreto determinaria sérias divisões a menos que os príncipes pu- dessem ser induzidos a aceitá-lo e apoiá-lo. Experimentou, portanto, a arte da persuasão, bem sabendo que o emprego da força com tais homens unicamente os tornaria mais decididos. “Pediu aos príncipes que aceitassem o decreto, assegurando-lhes que o imperador grande- [202] mente se agradaria deles.” Mas aqueles homens leais reconheciam uma autoridade acima da dos governantes terrestres, e responde- ram calmamente: “Obedeceremos ao imperador em tudo que possa contribuir para manter a paz e a honra de Deus.” — D’Aubigné. Na presença da Dieta, o rei finalmente anunciou ao eleitor e a seus amigos que o edito “ia ser redigido na forma de um decreto imperial”, e que “a única maneira de agir que lhes restava, seria submeter-se à maioria.” Tendo assim falado, retirou-se da assem- bléia, não dando aos reformadores oportunidades para deliberar ou replicar. “Sem nenhum resultado enviaram uma delegação pedindo ao rei que voltasse.” À sua representação respondeu somente: “É questão decidida; a submissão é tudo o que resta.” — D’Aubigné. O partido imperial estava convicto de que os príncipes cristãos adeririam às Escrituras Sagradas como superiores às doutrinas e preceitos humanos; e sabia que, onde quer que fosse aceito este prin- cípio, o papado seria afinal vencido. Mas, semelhantes a milhares que tem havido desde esse tempo, apenas olhavam “para as coisas que se vêem”, lisonjeando-se de que a causa do imperador e do papa era forte, e a dos reformadores fraca. Houvessem os reformadores confiado unicamente no auxilio humano, e teriam sido tão impoten- tes como os supunham os adeptos do papa. Mas, conquanto fracos em número e em desacordo com Roma, tinham a sua força. Apela- ram “do relatório da Dieta para a Palavra de Deus, e do imperador Carlos para Jesus Cristo, Rei dos reis e Senhor dos senhores.” — D’Aubigné.
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