O Grande Conflito - EGW
A Europa desperta 167 disseminação das Escrituras; mas nulos foram decretos, anátemas e torturas. Quanto mais ela condenava e proibia a Bíblia, maior era a ansiedade do povo por saber o que a mesma realmente ensinava. Todos os que sabiam ler estavam ávidos por estudar por si mesmos a Palavra de Deus. Levavam-na consigo, liam-na e reliam-na, e não podiam satisfazer-se antes que confiassem à memória grandes porções. Vendo o favor com que o Novo Testamento fora recebido, Lutero imediatamente começou a tradução do Antigo, publicando-o em partes, tão depressa as completava. Os escritos de Lutero eram bem aceitos, nas cidades como nas aldeias. “O que Lutero e seus amigos compunham, outros faziam circular. Monges, convictos do caráter ilícito das obrigações monás- ticas, desejosos de trocar uma longa vida de indolência por outra de ativo esforço, mas demasiado ignorantes para proclamar a Palavra de Deus, viajavam pelas províncias, visitando aldeias e cabanas, onde vendiam os livros de Lutero e de seus amigos. Logo enxameavam pela Alemanha aqueles ousados colportores.” — D’Aubigné. Ricos e pobres, doutos e ignorantes estudavam com profundo interesse esses escritos. À noite os professores das escolas da aldeia liam-nos em voz alta a pequenos grupos reunidos junto à lareira. Com cada esforço, algumas almas eram convencidas da verdade e, recebendo a Palavra com alegria, por seu turno contavam as boas novas a outros. [195] Confirmou-se o que disse o cantor inspirado: “A exposição das Tuas palavras dá luz; dá entendimento aos símplices.” Salmo 119:130 . O estudo das Escrituras estava operando poderosa mu- dança no espírito e coração do povo. O governo papal colocara sobre os seus súditos um jugo de ferro que os retinha em ignorância e degradação. Uma supersticiosa observância de formas fora escru- pulosamente mantida; mas em todo o seu serviço, o coração e o intelecto haviam tido pequena parte. A pregação de Lutero, expondo as plenas verdades da Palavra de Deus, e depois a própria Palavra, posta nas mãos do povo comum, despertaram-lhes as capacidades adormecidas, não somente purificando e enobrecendo a natureza espiritual, mas comunicando nova força e vigor ao intelecto. Podiam-se ver pessoas de todas as classes com a Bíblia nas mãos, defendendo as doutrinas da Reforma. Os romanistas que haviam deixado o estudo das Escrituras aos padres e monges, chamavam
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