O Grande Conflito - EGW
A Europa desperta 165 autoridade civil. Os ensinos revolucionários de Münzer, pretendendo [192] sanção divina, levaram-nos a romper com todo domínio e dar rédeas a seus preconceitos e paixões. Seguiram-se as mais terríveis cenas de sedição e contenda, e os campos da Alemanha embeberam-se de sangue. A agonia d’alma que, havia tanto tempo antes, Lutero experi- mentara em Erfurt, oprimia-o agora com redobrada força, vendo ele os resultados do fanatismo imputados à Reforma. Os príncipes romanistas declaravam — e muitos estavam prontos a dar crédito à declaração — que a rebelião era o fruto legítimo das doutrinas de Lutero. Conquanto esta acusação não tivesse o mínimo fundamento, não poderia senão causar grande angústia ao reformador. Que a causa da verdade fosse assim infelicitada, sendo emparelhada com o mais ignóbil fanatismo, parecia mais do que ele poderia suportar. Por outro lado, os chefes da revolta odiavam a Lutero porque ele não somente se opusera a suas doutrinas e negara ser de inspiração divina o que pretendiam, mas declarara-os rebeldes à autoridade civil. Em represália, denunciaram-no como vil pretensioso. Parecia haver acarretado sobre si a inimizade tanto de príncipes como do povo. Os romanistas exultavam, esperando testemunhar a rápida queda da Reforma; e culpavam a Lutero até dos erros que ele tão zelo- samente se esforçara por corrigir. A facção fanática, pretendendo falsamente haver sido tratada com grande injustiça, conseguiu ga- nhar as simpatias de um grupo numeroso de pessoas e, conforme se dá freqüentemente com os que tomam o lado do erro, vieram a ser considerados mártires. Assim, aqueles que estavam exercendo toda energia em oposição à Reforma, eram lamentados e louvados como vítimas de crueldade e opressão. Esta era obra de Satanás, movido pelo mesmo espírito de rebelião que manifestara primeiramente no Céu. Satanás está constantemente procurando enganar os homens e levá-los a chamar ao pecado justiça, e à justiça pecado. Quão bem-sucedido tem sido seu trabalho! Quantas vezes a censura e a exprobração são lançadas sobre os fiéis servos de Deus porque se mantêm destemidos em defesa da verdade! Os homens que não [193] passam de agentes de Satanás, são louvados e lisonjeados, e mesmo considerados mártires, enquanto os que deveriam ser respeitados e
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