O Grande Conflito - EGW

144 O Grande Conflito partindo de Worms, seu coração se encheu de alegria e louvor. “O [167] próprio diabo”, disse ele, “guardou a fortaleza do papa, mas Cristo fez nela uma larga brecha, e Satanás foi constrangido a confessar que o Senhor é mais poderoso do que ele.” — D’Aubigné. Depois de sua partida, ainda desejoso de que sua firmeza não fosse mal-interpretada como sendo rebelião, Lutero escreveu ao imperador: “Deus, que é o pesquisador dos corações, é minha tes- temunha”, disse ele, “de que estou pronto para, da maneira mais ardorosa, obedecer a vossa majestade, na honra e na desonra, na vida e na morte, e sem exceções, a não ser a Palavra de Deus, pela qual o homem vive. Em todas as preocupações da presente vida, minha fidelidade será inabalável, pois perder ou ganhar neste mundo é de nenhuma conseqüência para a salvação. Mas quando se acham envolvidos interesses eternos, Deus não quer que o homem se sub- meta ao homem; pois tal submissão em assuntos espirituais é ver- dadeiro culto, e este deve ser prestado unicamente ao Criador.” — D’Aubigné. Na viagem de volta de Worms, a recepção de Lutero foi mais lisonjeira mesmo do que na sua ida para ali. Eclesiásticos principes- cos davam as boas-vindas ao monge excomungado, e governadores civis honravam ao homem que o imperador denunciara. Insistiu-se com ele que pregasse e, não obstante a proibição imperial, de novo subiu ao púlpito. “Nunca me comprometi a acorrentar a Palavra de Deus”, disse ele, “nem o farei.” —Martyn. Não estivera ainda muito tempo ausente de Worms, quando os chefes coagiram o imperador a promulgar um edito contra ele. Nesse decreto Lutero foi denunciado como o “próprio Satanás sob a forma de homem e sob as vestes de monge.” — D’Aubigné. Ordenou-se que, logo ao expirar o prazo de seu salvo-conduto, se adotassem medidas para deter a sua obra. Proibia-se a todas as pessoas abrigá-lo, dar-lhe comida ou bebida, ou por palavras ou atos, em público ou em particular, auxiliá-lo ou apoiá-lo. Deveria ser preso onde quer que o pudesse ser, e entre- gue às autoridades. Presos deveriam ser também seus adeptos, e confiscadas suas propriedades. Deveriam destruir-se seus escritos e, finalmente, todos os que ousassem agir contrariamente àquele de- creto eram incluídos em sua condenação. O eleitor da Saxônia e os [168] príncipes mais amigos de Lutero tinham-se retirado de Worms logo depois de sua partida, e o decreto do imperador recebeu a sanção

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