O Grande Conflito - EGW

134 O Grande Conflito ato, se colocava acima do papa. Este o havia posto sob interdito, separando-o de toda a sociedade humana; e no entanto era ele cha- mado em linguagem respeitosa, e recebido perante a mais augusta assembléia do mundo. O papa condenara-o ao silêncio perpétuo, e agora estava ele prestes a falar perante milhares de ouvintes atentos, reunidos das mais longínquas partes da cristandade. Imensa revolu- ção assim se efetuara por intermédio de Lutero. Roma descia já do trono, e era a voz de um monge que determinava esta humilhação.” — D’Aubigné. Na presença daquela poderosa assembléia de titulares, o refor- mador de humilde nascimento parecia intimidado e embaraçado. Vários dos príncipes, observando sua emoção, aproximaram-se dele, e um lhe segredou: “Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma.” Outro disse: “Quando fordes levados perante os governadores e reis por Minha causa, ser-vos-á ministrado, pelo Espírito de vosso Pai, o que devereis dizer.” Assim, as palavras de Cristo foram empregadas pelos grandes homens do mundo para fortalecerem Seu servo na hora de prova. Lutero foi conduzido a um lugar bem em frente do trono do imperador. Profundo silêncio caiu sobre a assembléia ali congre- gada. Então um oficial imperial se levantou e, apontando para uma coleção dos escritos de Lutero, pediu que o reformador respondesse a duas perguntas: Se ele os reconhecia como seus, e se se dispunha a retratar-se das opiniões que neles emitira. Lidos os títulos dos livros, Lutero respondeu, quanto à primeira pergunta, que reconhecia serem [156] seus os livros. “Quanto à segunda”, disse ele, “visto ser uma questão que respeita à fé e à salvação das almas, e que interessa à Palavra de Deus, o maior e mais precioso tesouro quer no Céu quer na Terra, eu agiria imprudentemente se respondesse sem reflexão. Poderia afirmar menos do que as circunstâncias exigem, ou mais do que a verdade requer, e desta maneira, pecar contra estas palavras de Cristo: ‘Qualquer que Me negar diante dos homens, Eu o negarei também diante de Meu Pai, que está nos Céus.’ Mateus 10:33 . Por esta razão, com toda a humildade, rogo a vossa majestade impe- rial conceder-me tempo para que eu possa responder sem ofensa à Palavra de Deus.” — D’Aubigné. Fazendo este pedido, Lutero agiu prudentemente. Sua conduta convenceu a assembléia de que não agia por paixão ou impulso.

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