O Grande Conflito - EGW
O poder triunfante da verdade 127 mais do que nunca inclinada a considerar favoravelmente a causa de Lutero. Com redobrado zelo insistia Aleandro com o imperador sobre o dever de executar os editos papais. Mas, pelas leis da Alemanha, não se poderia fazer isto sem o apoio dos príncipes; e vencido finalmente pela importunação do legado, Carlos ordenou-lhe apresentar seu caso à Dieta. “Foi um dia pomposo para o núncio. A assembléia era grandiosa; a causa ainda maior. Aleandro deveria pleitear em favor de Roma, ... mãe e senhora de todas as igrejas.” Deveria reivindicar a sobe- rania de Pedro perante os principados da cristandade, reunidos em assembléia. “Possuía o dom da eloqüência e ergueu-se à altura da ocasião. Determinava a Providência que Roma aparecesse e pleite- asse pelo mais hábil de seus oradores, na presença do mais augusto tribunal, antes que fosse condenada.” — Wylie. Com alguns receios, os que favoreciam o reformador anteviam o efeito dos discursos de Aleandro. O eleitor da Saxônia não estava presente, mas por sua ordem alguns de seus conselheiros ali se achavam para tomar notas do discurso do núncio. [148] Com todo o prestígio do saber e da eloqüência, Aleandro se pôs a derribar a verdade. Acusação sobre acusação lançou ele contra Lu- tero, como inimigo da Igreja e do Estado, dos vivos e dos mortos, do clero e dos leigos, dos concílios e dos cristãos em geral. “Nos erros de Lutero há o suficiente”, declarou ele, para assegurar a queima de “cem mil hereges.” Em conclusão esforçou-se por atirar o desprezo aos adeptos da fé reformada: “O que são estes luteranos? Uma quadrilha de insolentes pedantes, padres corruptos, devassos monges, advogados ignorantes e nobres degradados, juntamente com o povo comum a que trans- viaram e perverteram. Quanto lhes é superior o partido católico em número, competência e poder! Um decreto unânime desta ilustre assembléia esclarecerá os simples, advertirá os imprudentes, firmará os versáteis e dará força aos fracos.” — D’Aubigné. Com tais armas têm sido, em todos os tempos, atacados os de- fensores da verdade. Os mesmos argumentos ainda se apresentam contra todos os que ousam mostrar, em oposição a erros estabele- cidos, os simples e diretos ensinos da Palavra de Deus. “Quem são estes pregadores de novas doutrinas?” exclamam os que desejam
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