O Grande Conflito - EGW

A influência de um bom lar 119 retratar-se sem o haver convencido de seus erros. Nenhum dos ho- mens doutos de nosso principado me informou de que a doutrina de Martinho seja ímpia, anticristã ou herética.’ O príncipe recusou-se, além disso, a enviar Lutero a Roma, ou expulsá-lo de seus domínios.” — D’Aubigné. O eleitor notara uma ruína geral das restrições morais na socie- dade. Era indispensável grande obra de reforma. As complicadas e dispendiosas medidas para restringir e punir o crime seriam desne- cessárias se os homens tão-somente reconhecessem e obedecessem à lei de Deus e aos ditames de uma consciência esclarecida. O [139] eleitor via que Lutero trabalhava para conseguir este objetivo, e se- cretamente se regozijava de que uma influência melhor se estivesse fazendo sentir na igreja. Via também que, como professor na Universidade, Lutero tivera extraordinário êxito. Um ano apenas se passara desde que o refor- mador afixara as teses na igreja do castelo, e no entanto, já havia grande baixa no número de peregrinos que visitavam a igreja na festa de Todos os Santos. Roma fora privada de adoradores e ofer- tas, mas seu lugar se preenchera por outra classe que agora vinha a Wittenberg, não como peregrinos para adorar suas relíquias, mas como estudantes para encher as suas salas de estudo. Os escritos de Lutero haviam suscitado por toda parte novo interesse nas Escrituras Sagradas, e não somente de todos os recantos da Alemanha, mas de outros países, que congregavam estudantes na Universidade. Moços, chegando à vista de Wittenberg pela primeira vez, “erguiam as mãos ao Céu e louvavam a Deus por ter feito com que desta cidade a luz da verdade resplandecesse como de Sião, nos tempos antigos, e dali se espalhasse mesmo aos mais longínquos países.” — D’Aubigné. Lutero ainda não estava de todo convertido dos erros do roma- nismo. Enquanto, porém, comparava as Santas Escrituras com os decretos e constituições papais, enchia-se de espanto. “Estou lendo”, escreveu ele, “os decretos dos pontífices, e ... não sei se o papa é o próprio anticristo, ou seu apóstolo, em tão grande maneira Cristo é neles representado falsamente e crucificado.” — D’Aubigné. No entanto, Lutero nessa ocasião era ainda adepto da Igreja de Roma, e não tinha o pensamento de que em algum tempo se separaria de sua comunhão.

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