O Grande Conflito - EGW

A influência de um bom lar 117 “Assim fazendo”, disse ele, escrevendo a um amigo, “os oprimi- dos encontram duplo proveito; primeiro, aquilo que escrevi pode ser submetido ao juízo de outrem; segundo, tem-se melhor oportunidade de trabalhar com os temores, se é que não com a consciência, de um déspota arrogante e palrador, que do contrário dominaria pela sua linguagem imperiosa.” — Vida e Tempos de Lutero, de Martyn. Na próxima entrevista, Lutero apresentou uma exposição clara, concisa e poderosa, de suas opiniões, amplamente apoiadas por mui- tas citações das Escrituras. Este documento, depois de o ter lido em voz alta, entregou ao cardeal que, entretanto, o lançou desdenhosa- mente ao lado, declarando ser ele um acervo de palavras ociosas e citações que nada provavam. Lutero, assim estimulado, defronta en- tão o altivo prelado em seu próprio terreno — as tradições e ensinos da igreja — e literalmente derrota suas afirmações. Quando o prelado viu que o raciocínio de Lutero era irrespon- dível, perdeu todo o domínio de si mesmo e, colérico, exclamou: “Retrate-se! ou mandá-lo-ei a Roma, para ali comparecer perante os juízes comissionados para tomarem conhecimento de sua causa. Excomungá-lo-ei e a todos os seus partidários, e a todos os que [137] em qualquer ocasião o favorecerem, e os lançarei fora da igreja.” E finalmente declarou, em tom altivo e irado: “Retrate-se, ou não volte mais!” — D’Aubigné. O reformador de pronto se retirou com os amigos, declarando assim plenamente que nenhuma retratação se deveria esperar dele. Isto não era o que o cardeal se propusera. Ele se havia lisonjeado de poder pela violência forçar Lutero a submeter-se. Agora, deixado só com os que o apoiavam, olhava para um e para outro, em completo desgosto pelo inesperado fracasso de seus planos. Os esforços de Lutero nesta ocasião não ficaram sem bons resul- tados. A grande assembléia presente tivera oportunidade de compa- rar os dois homens, e julgar por si do espírito manifestado por eles, bem como da força e verdade de suas posições. Quão assinalado era o contraste! O reformador, simples, humilde, firme, permanecia na força de Deus, tendo ao seu lado a verdade; o representante do papa, importante a seus próprios olhos, despótico, altivo e desarrazoado, achava-se sem um único argumento das Escrituras, exclamando, no entanto, veementemente: “Retrate-se, ou será enviado a Roma para o castigo!”

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