O Grande Conflito - EGW
A influência de um bom lar 109 A igreja de Roma mercadejava com a graça de Deus. As mesas dos cambistas ( Mateus 21:12 ) foram postas ao lado de seus altares, e o ar ressoava com o clamor dos compradores e vendedores. Com a alegação de levantar fundos para a ereção da igreja de São Pedro, em Roma, publicamente se ofereciam à venda indulgências, por autorização do papa. Pelo preço do crime deveria construir-se um templo para o culto de Deus — a pedra fundamental assentada com o salário da iniqüidade! Mas os próprios meios adotados para o engrandecimento de Roma, provocaram o mais mortal dos golpes ao seu poderio e grandeza. Foi isto que suscitou o mais resoluto e eficaz dos inimigos do papado, determinando a batalha que abalou o trono papal e fez tremer na cabeça do pontífice a tríplice coroa. Tetzel, o oficial designado para dirigir a venda das indulgências na Alemanha, era culpado das mais vis ofensas à sociedade e à lei de Deus; havendo, porém, escapado dos castigos devidos aos seus crimes, foi empregado para promover os projetos mercenários e nada escrúpulos do papa. Com grande descaramento repetia as mais deslumbrantes falsidades, e relatava histórias maravilhosas para enganar um povo ignorante, crédulo e supersticioso. Tivesse este a Palavra de Deus, e não teria sido enganado dessa maneira. Foi para conservá-lo sob o domínio do papado, a fim de aumentar o poderio e riqueza de seus ambiciosos dirigentes, que a Bíblia fora dele retirada. (Ver História Eclesiástica, de Gieseler.) Ao entrar Tetzel numa cidade, um mensageiro ia adiante dele, anunciando: “A graça de Deus e do santo padre está às vossas portas!” — D’Aubigné. E o povo recebia o pretensioso blasfemo como se fosse o próprio Deus a eles descido do Céu. O infame tráfico era estabelecido na igreja, e Tetzel, subindo [128] ao púlpito, exaltava as indulgências como o mais precioso dom de Deus. Declarava que em virtude de seus certificados de perdão, todos os pecados que o comprador mais tarde quisesse cometer ser-lhe- iam perdoados, e que “mesmo o arrependimento não é necessário.” — D’Aubigné. Mais do que isto, assegurava aos ouvintes que as indulgências tinham poder para salvar não somente os vivos mas também os mortos; que, no mesmo instante em que o dinheiro tinia de encontro ao fundo de sua caixa, a alma em cujo favor era pago escaparia do purgatório, ingressando no Céu. — História da Reforma, de Hagenbach.
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